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Pesquisador da FADERGS visita CREF2/RS e traz dados preocupantes sobre a obesidade e sedentarismo
23/05/2017
Fonte: CREF2/RS

O Coordenador de Pesquisa da Escola de Saúde e Bem-Estar do Centro Universitário da FADERGS, Roberto Costa, pós-doutorado em Ciências do Movimento Humano pela UFRGS, visitou o CREF2/RS, ontem, dia 22. Costa vem estudando há 20 anos a obesidade na infância e adolescência e as doenças crônicas a elas associadas. Segundo o professor, os dados indicam que a cada ano a condição da saúde juvenil se deteriora, por mais que se façam ações governamentais e sociais de combate à obesidade. “Talvez as estratégias não sejam as mais apropriadas”, avalia.

Segundo a presidente do CREF2/RS, Carmen Masson (CREF 001910-G/RS), o Conselho apoia a ação de combate à obesidade infantil, problema que já se tornou uma pandemia. "Cerca de 33% das crianças e adolescentes estão com sobrepeso ou obesas. Ou seja, uma em cada três crianças tem esta doença. A obesidade implica em várias outras sequelas, sejam psicológicas, como exclusão da criança, ou agressões, via bullyng. Isto pode causar sérios traumas que deveriam ser evitados com atividade física e uma alimentação saudável".

Costa alerta para o bombardeio a que as crianças e a adolescentes sofrem pela publicidade, incentivando o consumo de alimentos ricos em gordura, açúcar e sal e com baixa qualidade nutricional. “De outro lado, enfrentamos o sedentarismo cada vez mais elevado. Crianças que antes brincavam ativamente na rua, hoje ficam inativas em frente a uma tela. A isto, soma-se alimentação inadequada, resultando em um caminho aberto para doenças”, constata.

Segundo Roberto, as classes sociais desfavorecidas sofrem mais com este tipo de alimentação. “Infelizmente, um pacote de biscoito recheado, com 1200 calorias, é mais barato do que uma fruta”, constata. O coordenador explica que o acesso a estes alimentos de má qualidade nutricional é facilitado pelo baixo custo. “Outro ponto é a questão da palatabilidade, não podemos negar que estes alimentos processados são gostosos para o paladar da criança e do adolescente”, explica.

De acordo com o coordenador, os adolescentes obesos apresentam índice elevado de síndrome metabólica. “Encontramos em Porto Alegre adolescentes obesos que tinham triglicérides alterados, colesterol elevado, obesidade abdominal, hipertensão arterial, ou seja, indivíduos com doenças de idosos, o que indica um risco elevado para a saúde, principalmente porque se apresenta uma tendência a se prolongar durante toda a vida”, argumenta. Costa conclui que estas pessoas chegam a sua vida adulta com sobrepeso e doenças crônicas, acabando por apresentar um risco maior de óbitos. “Atualmente vemos um aumento no número de indivíduos apresentando infarto aos 35 anos e AVC aos 45 anos”.

As ações para solucionar este problema têm que envolver toda a sociedade, aponta Costa. “Precisamos de uma mudança de atitude em relação a práticas alimentares e ao combate do sedentarismo, e para isto precisamos do apoio dos pais, da sociedade civil e da classe política em todos os âmbitos”. Costa vislumbra a escola como melhor ambiente para estas políticas serem efetuadas. “É o momento para utilizarmos este ambiente para a incentivarmos saúde. O ensino da matemática, da física e do português são muito importantes, mas é imperativo que eduquemos para a saúde”, arremata.

Para Costa, o professor de Educação Física que é o profissional de saúde dentro da escola, e ele tem que assumir este espaço. “É importante que tenhamos primeiro o conhecimento da condição dos alunos, precisamos saber aqueles que tem obesidade ou que estão em risco”. A partir desta etapa, afirma o professor, temos que propor as ações que envolvam a alimentação e a orientação aos pais sobre o que a criança traz para a escola. “Nos últimos cinco anos, o único país que conseguiu uma redução da obesidade na fase escolar foi nos EUA, com o programa alimentar implementado pela primeira-dama Michelle Obama. Infelizmente, com o novo presidente o programa foi revogado”, constata.

Costa explica que o deputado estadual Maurício Dziedrickir tem dois projetos de Lei envolvendo o tema. O primeiro introduz o cadastro de obesidade infanto juvenil, bem como torna obrigatório a realização da avaliação antropométrica para verificação do estado nutricional e triagem de risco para doenças crônicas não-transmissíveis nos alunos do ensino fundamental e médio nas escolas do Estado.

“E quem se não o profissional de Educação Física seria o mais indicado para realizar estas medidas”, afirma Costa. “Pois na sua graduação, o profissional de Educação Física tem disciplinas como biometria, medidas de avaliação ou avaliação física, que são matérias que cuidam desta medição antropométrica", analisa. O professor afirma ser possível fazer estes procedimentos em apenas uma aula. "Ele consegue fazer estas três medidas em todos os seus alunos. Em uma semana, ele terá conseguido medir todos os seus alunos. “Importante frisar que o PL vale para escolas públicas e particulares”, ressalta.

O segundo PL apresentado obriga todos os produtos alimentícios produzidos por indústrias do Estado a apresentar no rótulo a quantidade de sal e açúcar que contém em medidas em colheres de café. "Por exemplo, este suco tem seis colheres de chá de açúcar”.


Obesidade e Sedentarismo