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X Fórum dos Coordenadores discute Resolução CNE/CES nº 6/2018
Postado em 25/10/2021
Fonte: CREF2/RS

O X Fórum dos Coordenadores de Curso de Educação Física do Rio Grande do Sul, organizado pela Comissão de Ensino Superior e Preparação Profissional do CREF2/RS, foi realizado na última sexta-feira, dia 22 de outubro. O evento, totalmente virtual, contou com a palestra “As novas diretrizes da Educação Física: avançando nas respostas para a implementação da Resolução CNE/CES nº 6/2018”, proferida pela professora e pesquisadora Iguatemy Martins (CREF 000001-G/PB), ex-conselheira do CONFEF e docente da Universidade Católica de Brasília.

O Fórum dos Coordenadores, realizado desde 2010 pelo CREF2/RS em diversas instituições da capital e do interior do Estado, já trouxe para a discussão temas como a evasão escolar, as especialidades profissionais, o uso da tecnologia e o mercado de trabalho. O evento é considerado o principal canal de diálogo entre os coordenadores sobre o futuro da profissão e sobre a formação profissional.

Na abertura do evento, o presidente da Comissão Eduardo Merino (CREF 004493-G/RS) afirmou que existe preocupação entre os coordenadores de curso de que a diminuição da carga horária proposta na Resolução CNE/CES nº 6/2018 provoque a retração na oferta de empregos entre os professores, além da perda de conexão entre os cursos de licenciatura e bacharelado.

Iguatemy iniciou sua fala saudando a preocupação dos coordenadores para que se dê a transição de uma resolução para outra da melhor forma possível, trazendo uma melhoria na formação dos futuros profissionais. “Na minha concepção, existe uma melhora de conteúdo na nova resolução. Um ponto fundamental é a integração entre a licenciatura e o bacharelado e, ao mesmo tempo, a proposta de se trabalhar especificidades dessas duas formações".

"Mas ser uma profissão da saúde também traz algumas implicações. Uma delas é que seremos avaliados pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS) para obter autorização de funcionamento". explica. Portanto, afirma a pesquisadora, é necessária a contemplação nos currículos daquilo que ficou definido nas resoluções do CNS. "Uma das diretrizes do Conselho é a incorporação dos fundamentos do SUS dentro da nossa formação".

Outros pontos elencados pela professora foram a integração entre os cursos de bacharelado e licenciatura e a especificidade da Educação Física escolar nos anos iniciais da educação. "Isso dá o rosto de cada uma das nossas intervenções" afirma. Segundo a professora, a resolução também traz algumas inovações, como o processo ensino-aprendizagem, valorizando as vivências e cenários de práticas diversificados.

Iguatemy explica que a Resolução CNE/CES nº 6/2018 definiu 3200 horas para a formação, o que não difere em nada da outra resolução. “O que muda fundamentalmente é a entrada única, com os dois anos de etapa comum e posteriormente a abertura para duas formações distintas, que podem ser complementares. A noção de que a licenciatura tem importante papel no magistério ficou explícito nesta resolução". Também ficaram definidos 640 horas para estágio e 320 horas para estudos integradores. “O parecer que dá suporte à resolução, ao falar do bacharelado, afirma que o curso forma profissionais na área da saúde habilitados a assegurar a integralidade do atendimento prestados aos indivíduos famílias e comunidades. Isso é um princípio basicamente dos SUS", explica.

Porém, ressalta Iguatemy, a nova resolução nasce em um cenário desfavorável. Ela explica que 75% das instituições privadas têm seus cursos de licenciatura em EAD, sendo que existe um universo de 30% de cursos de licenciatura e 70% de bacharelado. "Todos os cursos da licenciatura estão diminuindo carga horária, além de enfrentarmos uma realidade de falta de recursos e violência nas escolas públicas, além de uma lógica de mercado nas instituições privadas. Portanto, para revertermos este quadro temos que lutar coletivamente. Os problemas de um país continental como o Brasil não serão resolvidos a partir de uma resolução. A implementação da Resolução nº 6/2018 é um desafio, como qualquer documento finalizado há pouco tempo. É imprescindível darmos este salto de qualidade".

O X Fórum dos Coordenadores de Curso de Educação Física do Rio Grande do Sul contou com a participação de cerca de 40 coordenadores dos mais variados cursos de Educação Física do Estado, que realizaram uma profícua discussão com a palestrante, trazendo o aporte das singularidades de suas realidades educacionais.

Você pode acessar o documento, publicado no Diário Oficial da União, aqui.


Fórum dos Coordenadores de Curso de Educação Física