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VII CongregaCREF aborda gestão de carreira e obesidade na infância
Postado em 02/09/2021
Fonte: CREF2/RS

O CREF2/RS realizou ontem, dia 1º de setembro, a sétima edição do CongregaCREF – Seminário Sul Brasileiro de Educação Física, como forma de comemorar o Dia do Profissional de Educação Física. O evento foi transmitido de maneira online através do Youtube e do Facebook do Conselho, e contou com as palestras de André Fernandes (CREF 000013-G/RJ) e de Roberto da Costa (CREF 000137-G/SP), com a medição do conselheiro Alessandro Gonçalves (CREF 005863-G/RS). O CongregaCREF teve início em 2015, com o objetivo de aperfeiçoar o conhecimento dos registrados do Conselho, bem como dos estudantes de Educação Física. Desde sua estreia até os dias atuais, cumpre com sua tarefa de proporcionar vivências em temas sempre conectados ao momento da respectiva edição do seminário.  

A primeira palestra foi realizada pelo doutor em Ciência do Desporto pela UTAD/Portugal André Fernandes, que discorreu sobre o tema “Gestão de carreira presencial e digital: como será no futuro?”. Ao iniciar sua fala, ele ressaltou o crescimento exponencial e a consolidação da profissão na sociedade, frutos de uma década de lutas pela regulamentação do profissional de Educação Física, realizadas entre os anos 80 e 90 .

Em relação à gestão da carreira, Fernandes destacou que o atual processo pandêmico propõe novos cenários aos profissionais. "Foram criados várias zonas mais latentes: a do medo, a do aprendizado e a do crescimento, aos quais as pessoas reagem de forma diferente". O que diferencia as reações a estes cenários, explica, são possuir a mente fechada, que provoca um estreitamento do relacionamento com o mundo, e a mente aberta, que vive em constante aprendizado. 

André ensina que gestão é conhecimento, o que significa gerenciar informações, e não apenas acumular dados. "Ensinar, por exemplo, demonstra o conhecimento", avaliou. Ele elenca outros pontos da gestão, que são as habilidades, compostas por capacidades formadas a partir do conhecimento; as atitudes, que possibilitam a criação de um contexto de aprendizado; e os valores, que são o respeito e o desenvolvimento. "A observação destes pontos, seja no mercado presencial, como do digital, fazem a diferença na fidelização de clientes e no fluxo de caixa". Ele também definiu brand como um conjunto de práticas e técnicas de construção de uma marca. "Quando esta identificação é positiva, a marca se torna forte, e passa a vender mais", conclui.

Quanto ao mercado digital, ele revelou que há diferentes tipos de seguidores, e o desafio é tornar a pessoa em um lead da mídia social, ou seja, um "funil de vendas". "As pessoas que se transformam em leads são, em média, 10% dos seguidores. Em um momento posterior, surge a oportunidade de venda, que será realizada para apenas 1% do universo de leads". 

Roberto da Costa, que possui três pós-doutorados, proferiu a palestra “Sedentarismo e Obesidade na infância e na adolescência em tempos de COVID-19”. Ele iniciou sua apresentação apontando para a relação direta entre o excesso de gordura e a inatividade aos alarmantes índices de doenças não transmissíveis, como a diabetes e obesidade. "Atualmente, o risco de uma criança de dois anos se tornar obesa são de 15%, com cinco anos, sobe para 35%, aos sete, 50%, e finalmente aos 10 anos, quando atinge a marca de 70%. Quanto mais cedo surge a obesidade, mais prolongada sua chances de perdurarem até a vida adulta, trazendo as complicações metabólicas e as doenças associadas a esta condição", avaliou.   

Costa constatou um agravamento da epidemia de obesidade causada pelo COVID 19. “Mas mesmo antes da pandemia, entre 2006 a 2016, a obesidade aumentou 60%. Em 2018, esse índice cresceu 67%. Tudo isto a despeito das inúmeras campanhas em prol da atividade física e da alimentação saudável”, explicou Costa, revelando que a faixa de 25 a 34 anos perfazem 84% do índice total. O pesquisador também apresentou dados de uma pesquisa nacional realizada com alunos do nono ano do ensino fundamental, que apontam índices de obesidade de 28% para alunos e 23% para alunas. “É preocupante constatar que o excesso de peso e da obesidade tem maior incidência no sul do país”, afirma, revelando que Capão da Canoa apresenta 25% das suas crianças obesas e Santa Maria atinge 30% desta população.

Como estratégias de combate à epidemia, Costa propõe ações de prevenção, como avaliações em escolas, promoção da atividade física e esportes, campanhas educativas, informações em rótulos e legislação e políticas públicas direcionadas ao problema. Para subsidiar estes processos, Roberto indica, entre outros materiais, o Manual de Avaliação Corporal para Crianças e Adolescentes, editado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, e o Guia de Atividades Física para a População Brasileira, lançado pelo Ministério da Saúde. Ele também apresenta soluções eficientes de baixo custo, como avaliações antropométricas, Razão Cintura Estatura (RCE) e Índice de Adiposidade Corporal (IAC), todos com ponto de corte para adultos e crianças propostos pela Organização Mundia da Saúde (OMS), além de serem passíveis de encaminhamento posterior para uma avaliação mais aprofundada.

Assista as palestras completas pelo Youtube e pelo Facebook do CREF2/RS.


VII CongregaCREF