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6º Fórum de Mobilização Gaúcha pela Educação Física Escolar reúne profissionais e estudantes em Capão da Canoa
22/05/2017
Fonte: CREF2/RS

A Comissão de Educação Física Escolar do CREF2/RS realizou, no último sábado, dia 20 de maio, o 6º Fórum de Mobilização Gaúcha pela Educação Física Escolar, em Capão da Canoa. O evento, que integrou a programação do 43º ENPAEF, teve a entrada gratuita e reuniu profissionais e acadêmicos para debater o futuro da área. Neste ano, o Fórum contou com as palestras de Vitor Powaczruk (CREF 023027-G/RS), intitulada “A Educação Física dentro da nova BNCC: Reflexões sobre a Obrigação e a Opcionalidade”; e de Maria Teresa Cauduro, com o nome “A Educação Física Escolar e um Passeio pelas Linguagens do Corpo”. Powaczruk é assessor pedagógico da Secretaria Estadual de Educação e Maria Teresa pesquisadora do Grupo de Estudos Qualitativos de Formação de Professores e Prática Pedagógica em Educação Física e Ciências do Esporte (CNPq/UFRGS) e do Observatório de Educação (Unisinos).

A mesa de abertura do evento foi composta pela presidente do CREF2/RS Carmen Masson (CREF 001910-G/RS) e pela presidente da Comissão de Educação Física Escolar Miryam Brauch (CREF 006834-G/RS). Para a plateia, formada em grande parte por professores da rede pública e privada de ensino, Carmen falou sobre as funções do Conselho, para além do trabalho de fiscalização e de orientação. “A nossa atuação tem o intuito também de manter a Educação Física forte e viva no ambiente político. O Sistema CONFEF/CREFs já participou da elaboração de diversos projetos na Câmara Federal, em parceria com os deputados, para garantir a presença e o reconhecimento dos nossos profissionais em nível nacional”, revelou.

Miryam, por outro lado, aproveitou o momento para destacar o crescimento do Fórum, que chegou à sua sexta edição consecutiva, e da aproximação com a Associação dos Profissionais de Educação Física do Rio Grande do Sul (APEF/RS) ao longo desta trajetória. “O nosso trabalho, feito em parceria desde o primeiro ano, tem sido exaustivo para garantir a presença do profissional de Educação Física em todas as séries escolares. O PLC 116/2013, embora esteja engavetado na Assembleia Nacional, teve uma iniciativa parecida aqui no nosso Estado, já transformada no PL 087/2016. Este novo projeto de lei, que continua tramitando, pode ser considerado uma das grandes conquistas deste Fórum”, mencionou.

Palestras

Graduada em Educação Física pela UFRGS e em Direito pela Feevale, com doutorado pela Universitat de Barcelona em Ciências da Educação, Maria Teresa foi a primeira palestrante do Fórum. Depois de falar um pouco sobre a sua trajetória profissional e relatar algumas das suas experiências dando aula e conhecendo a realidade do ensino no Brasil, a pesquisadora apresentou didaticamente a legislação da Educação Física e um pequeno panorama do que ocorre nas escolas. A conclusão, de acordo com Maria Teresa, indica que ainda há um longo caminho para que a Educação Física seja colocada no seu devido lugar. “Ainda precisamos compreender todas as leis da nossa profissão, pois só assim poderemos posicionar a Educação Física, as suas linguagens e as suas interfaces como importantes para as pessoas”, explicou.

No âmbito das escolas, Maria Teresa também destacou a necessidade que os professores têm de trabalhar com diferentes tipos de alunos, mas sem nenhuma segregação. “As crianças, muitas vezes, vêm de lugares distintos, possuem crenças e aspectos culturais que não são compatíveis entre si. O profissional de Educação Física tem a obrigação de lidar com isto e o caminho mais adequado é trabalhar todas as possibilidades corporais, não apenas os jogos com bola”, sentenciou. A decisão do conteúdo programático, por conta disto, acaba sendo a tarefa mais difícil. “Os professores precisam vivenciar a realidade do aluno para definir como serão as aulas. Além disto, eles necessitam trabalhar com o corpo e com os gestos de cada um, aliando teoria e prática e ainda criando uma interface com as outras disciplinas, como geografia, física e matemática. Só assim o conhecimento será capaz de crescer e de abrir possibilidades para os alunos”.

Powaczruk conduziu a segunda palestra do Fórum e trouxe para o centro da discussão os diversos contextos da Educação Física Escolar, que afetam diretamente o dia a dia dos professores. “Na Secretaria Estadual de Educação, temos o dado de que quase metade dos alunos não participa das aulas de Educação Física. Cabe ao profissional de escola, por conta disto, mudar esta realidade e mostrar para a comunidade em geral que a transformação proporcionada pela disciplina é duradoura e essencial para as crianças e para os adolescentes”, comentou.

Powaczruk é um dos especialistas responsáveis pela elaboração da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao junto ao MEC. O projeto, que começou a ser discutido em 2013 e deverá ser adotado por todas as escolas públicas e privadas do Brasil em um futuro bastante próximo, também foi abordado na sua apresentação. “A Educação Física ainda não era considerada uma disciplina obrigatória em 1996, mas em 2001 passou a ser um componente curricular imprescindível na formação de todos os alunos. As alterações da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), ao longo do tempo, trouxeram alguns dos benefícios que tentarão ser ampliados agora com a adoção da BNCC”, declarou o palestrante.

A parte final do Fórum foi dedicada às perguntas da plateia. Os palestrantes puderam complementar os assuntos abordados nas suas apresentações e ainda tratar de outros temas extremamente conflituosos e atuais. Para Maria Teresa, os profissionais de escola precisam ter um diálogo permanente com as crianças, para entender o contexto em que vivem, e sempre comunicar a direção da escola quando algum abuso for detectado. “O conhecimento da realidade do aluno é muito importante nestes casos. Nas famílias em que os pais estão desempregados, ou que têm problemas com bebida, os casos de violência podem ocorrer até com uma certa frequência”, explicou. “Os profissionais de Educação Física, por causa da proximidade que acabam tendo com os alunos, podem identificar um comportamento não-verbal de agressão, de depressão ou até mesmo de socorro. Eles devem estar sempre atentos e as escolas não podem ser omissas diante destes casos”, finalizou.

Educação Física Escolar