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Estudo aponta que é preciso estar ativo o dia inteiro para manter a boa forma
25/02/2013
Fonte: Zero Hora

Você seguiu direitinho as recomendações do médico (e da Organização Mundial de Saúde): 30 minutos de exercício físico por dia, de segunda a sexta. Está satisfeito consigo mesmo, tem saúde garantida, correto? Não completamente.

Um estudo novo da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) sugere que uma pessoa que se exercita apenas nesses poucos minutos, mas passa o resto do dia sentado ou realizando atividades que não demandam muito movimento, tem as mesmas condições de saúde de alguém que não faz exercício nenhum, mas fica zanzando de um lado para o outro o dia todo.

Até 10 anos atrás, a ciência se fixava somente nos benefícios do tempo do exercício físico — aquele vôlei, futebol, academia, corrida e caminhada, todos esportes de grande intensidade, mas que consomem somente de 5% a 8% do tempo acordado de uma pessoa. O restante da boa forma vem das atividades corriqueiras do dia a dia: cozinhar, passear com o cachorro, se levantar da mesa do trabalho para pegar um cafezinho, caminhar até a padaria para comprar pão etc.

Na última década, países como Austrália, Estados Unidos e Inglaterra têm fixado sua atenção no que as pessoas fazem fora do horário de praticar esportes. No Brasil, há alguns estudos que relatam o tempo que adolescentes ficam na frente do computador, da televisão e do videogame, mas ainda não havia um perfil completo de como as pessoas se movimentam rotineiramente: deslocamentos, lazer, trabalho e estudo.

Em tese de mestrado, Grégore Mielke, pesquisador do comportamento sedentário da UFPel, apresentou um estudo feito com quase 3 mil moradores de Pelotas, mas que pode ser aplicado na população de outras cidades de médio porte. Os resultados são surpreendentes: 10% dos entrevistados passam 12 horas ou mais por dia sentados. E quanto mais velha for a pessoa, menor será o comportamento sedentário.

O próprio conceito de sedentarismo muda:

— É possível que uma pessoa pratique muita atividade física, mas seja sedentária. Se ela ficar sentada na maior parte do tempo, sem se movimentar e só se exercitar meia hora por dia, pode ser considerada sedentária. E isso pode se reverter em uma pior condição de saúde — avalia Mielke.

Sedentarismo, portanto, significa se movimentar pouco durante o dia. E outra coisa, bem diferente, é ser fisicamente ativo. Assim, Mielke dividiu os entrevistados em quatro grupos:

1. Fisicamente ativos e não sedentários
2. Fisicamente ativos e sedentários
3. Fisicamente inativos e não sedentários
4. Fisicamente inativos e sedentários.

Os integrantes dos grupos 2 e 3 teriam os mesmos gastos energéticos durante o dia. Mas antes de cancelar a academia, preste atenção ao que diz Mielke:

— Eu gosto de fazer uma analogia: comer muita fruta ou verdura não anula os efeitos de comer muita gordura. O que eu quero dizer com isso é que os caminhos metabólicos para o gasto energético são diferentes e não se deve abandonar nenhum hábito que seja saudável para o organismo. O problema é que se tomou que 30 minutos de atividade física seriam uma cápsula de saúde e a pessoa não precisaria fazer mais nada. E isso não é verdade.