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Eduardo Bedin: quebrando barreiras e superando desafios
17/06/2019
Fonte: CREF2/RS

"Nunca desista de seus sonhos!”. Com este pensamento sempre presente, o profissional de Educação Física Eduardo Bedin (CREF 026673-G/RS) enfrentou com leveza e bom humor todos os empecilhos que a sociedade impõe aos deficientes e, derrubando todos os preconceitos, se tornou uma das primeiras pessoas com Síndrome de Down a se formar em Educação Física no Estado, assim como o graduado pela ULBRA Guaíba Igor Becker (CREF 015310-G/RS). Eduardo nasceu em Porto Alegre há 28 anos. Em 2017, ele licenciou-se em Educação Física pela UNOPAR e, de acordo com dados do Movimento Down, portal filiado à Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, ele é uma das 74 pessoas com Down no Brasil que cursam ou que já se formaram no Ensino Superior até 2019.

A chegada de uma criança com deficiência em uma família pode gerar situações complexas e resultantes da falta de preparo e informação adequada para lidar com os sentimentos que surgem nesse momento. Quando Eduardo nasceu, a notícia da Síndrome foi colocada de maneira chocante pelo pediatra. “Teu filho tem mongolismo! Isso não cura”, relembra sua mãe, Neuza Leite. A atitude brutal do profissional da área médica foi o pontapé inicial para que os pais enfrentassem o desafio de buscar caminhos para viabilizar uma vida de superação. “Graças ao Centro Lydia Coryat, familiares, alguns amigos, além de profissionais responsáveis e dedicados, a vida começou a acontecer”, recorda. Ela explica que Eduardo iniciou sua ambientação escolar com um acolhimento amoroso no maternal, recebendo toda a atenção das professoras.

Registrado no CREF2/RS desde maio de 2018, Eduardo sempre teve uma rotina muito ativa, trabalhando profissionalmente como auxiliar técnico de judô, ao mesmo tempo que estudava em vários cursos para aprimorar as suas habilidades. Atualmente, desenvolve atividades esportivas junto a outras pessoas com deficiências na Associação de Pais, Amigos e Pessoas com Deficiência, de Funcionários do Banco do Brasil e da Comunidade (APABB-RS). O projeto tem a coordenação de Fábio Izaguirre (CREF 005430-G/RS), judoca filiado à Federação Gaúcha de Judô (FGJ), e que trabalha de forma voluntária.

Eduardo também participa da Associação Judoística (AJURGS) e é chefe da Tropa Escoteira do Grupo Escoteiro Souza Lobo, localizado no bairro Sarandi, em Porto Alegre, além de ser membro da Associação dos Familiares e Amigos do Down (AFAD Porto Alegre), entidade a qual ele representa como suplente no Conselho Municipal das Pessoas com Deficiência de Porto Alegre. De acordo com sua mãe, o trabalho voluntário tem permitido que Eduardo encare os compromissos com mais responsabilidade, notadamente com relação a horários e convivência.

Formatura e romance

Carismático e determinado, no dia da sua formatura Eduardo conquistou o coração da violonista e bailarina Florença Sanfelice, também com Síndrome de Down. Ela havia sido contratada para tocar na cerimônia, mas nessa noite ganhou também um namorado e um excelente amigo. “Estou muito apaixonado!”, é como ele mesmo se define. Os seus planos de vida incluem a independência própria e o futuro casamento.

Eduardo cursou a antiga primeira série em uma escola pública estadual e teve a felicidade contar com professoras amorosas e competentes, que o alfabetizaram e fizeram sentir-se incluído no ambiente escolar. Mas também existiram muitas experiências ruins em sua vida. “Há duas escolas de Porto Alegre das quais nem quero lembrar por serem preconceituosas e fechadas, o que me causou muito desalento”, recorda.

Quando Eduardo concluiu o Ensino Fundamental pela EJA, pois sentia-se constrangido em meio a crianças e preferia conviver com adultos, Neuza foi nomeada como assistente social para a Prefeitura de Rosário do Sul. “Ao chegar lá, as portas da Escola Estadual Plácido de Castro foram abertas, sendo imediatamente incluído no Grupo de Danças. Foi incrível! Fiz uma bela festa de formatura pensando que a vida escolar do meu filho estava sendo encerrada ali”, diz Neuza.

Mas a vida ainda reservava um grande objetivo a ser alcançado pela mãe e seu filho. “Quando fui fazer a minha matrícula para cursar Direito, o Eduardo estava junto.Ao sairmos da universidade, ele perguntou: “E a minha faculdade?” Coincidentemente estava sendo aberto o curso de Educação Física. Então cancelei a minha faculdade e investi na dele”, recorda. “O resultado felizmente foi o melhor possível. Estamos muito orgulhosos”, comemora Neuza.

Eduardo Leite Bedin